RESGATE HISTÓRICO CULTURAL DO HORTO FLORESTAL

Em 79 anos de história, o Parque Estadual Campos do Jordão (PECJ) tem memórias que foram se perdendo ao longo do tempo. Estórias, fatos, curiosidades e acontecimentos marcantes formaram a trajetória de muitas famílias. Avós, pais, filhos e netos, gerações se desenvolveram, assim como o próprio Parque também dependeu dessas famílias para o seu desenvolvimento. A história ajuda a forjar a identidade das novas gerações e possibilita o resgate de valores pelos quais a sociedade tanto almeja. Este conceito possibilita uma reflexão sobre a importância do resgate das memórias do Parque Estadual Campos do Jordão. Ao longo de sua existência, o PECJ, teve muitas fases diferentes, sempre se transformando, mas nunca perdendo a sua essência. A Fazenda da Guarda, a Serraria, a Criação do Parque, o Reflorestamento, a Mecanização e Exploração Florestal, a Estação Meteorológica e a Educação Ambiental, a Concessão da área do Uso Público, todas elas possibilitaram a criação da identidade do famoso “Horto Florestal”. O sentimento de pertencimento e a coletividade são características que marcaram a identidade do horto e os funcionários que atuaram e ainda atuam na unidade. O Parque Estadual Campos do Jordão não se resume a um ponto turístico apreciado pelos turistas, ou uma Unidade de Conservação, ou um local de trabalho. É tudo isso e também lar de muitas memórias e muitas pessoas que passaram por aqui.

O projeto Resgate Histórico Cultural do Horto Florestal foi idealizado pela equipe de monitores ambientais do PECJ desde o ano de 2017, tendo como principal objetivo reunir o acervo histórico por meio de depoimentos, vídeo, fotos, histórias, contos, documentos, entre outros. O evento contempla uma das ações do Calendário Ambiental desenvolvido pela Câmara Técnica de Educação Ambiental, sendo realizado sempre no dia 28 de outubro, data onde comemora-se o dia do funcionário público. Nas três edições anteriores foram realizadas exposições que contaram com a participação de diversos atores que colaboraram com a história do Parque, a publicação do livro Patrimônio Histórico Cultural do Horto Florestal e o desenvolvimento do documentário: Raízes da Conservação.

Desde ano de 2019, foi possível contar com o apoio profissional da empresa Vento Dobrado Filmes que se disponibilizou em apoiar o projeto do curta metragem intitulado: “HORTO”, tornando possível o registro profissional do patrimônio histórico da unidade, pioneira no estado de São Paulo.

  • 1720

    (Fonte: Campos do Jordão Cultura)

    Gaspar Vaz da Cunha (Oyaguara), a fim de descobrir o rumo das Minas de Itagiba, embrenhou-se Mantiqueira adentro.

  • 1771

    Inácio Caetano Vieira de Carvalho segue os rastros do Oyaguara pela Serra Preta e alcança o Pico do Itapeva: continuando a caminhada chegou aos altos do Sapucaí-Guaçu, nos “Campos do Capivary”, construindo a Casa Grande da “Fazenda Bom Sucesso”.

  • 1803

    As disputas de terras entre Inácio Caetano e João da Costa Manso na divisa das capitanias de Minas Gerais e São Paulo levou o governador da capitania paulista a determinar a colocação de uma guarda na divisa das fazendas: Bom Sucesso e São Pedro.

  • 1823

    Morre Inácio Caetano, seu filho Mariano Vieira de Carvalho hipotecou e depois vendeu ao Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, por dez conto de réis a Fazenda Bom Sucesso.

  • 1827

    Falece Brigadeiro Jordão sem conhecer a fazenda à qual dera nome de Fazenda Natal, por tê-la adquiridos ás vésperas das festas natalinas. A viúva Dona Gertrudes Galvão de Oliveira Lacerda tomou posse da fazenda, ampliando com as terras da Fazenda São Pedro.

  • 1854

    Com a morte de Dona Gertrudes, seus filhos venderam seus quinhões da Fazenda Natal; Amador Rodrigues Jordão vendeu aos irmãos Antônio de Godói Moreira e Costa e Jose de Godói Moreira, que formaram a Fazenda da Guarda, construindo sede e senzala.

  • 1920

    (Fonte: Adolpho Júlio de Carvalho - Família Kok)

    Sede da Fazenda da Guarda – Administrada por Maria da Glória Ribeiro de Godoy, a Sinhazinha.

  • 1924

    Fazenda da Guarda é vendida para Holger Jensen Kok, “Sinhazinha” separou 100 dos 1200 alqueires para a construção do Rancho Santo Antonio, ainda hoje de propriedade da família Godoy.

  • 1927

    (Fonte: Adolpho Júlio de Carvalho - Família Kok)

    André, filho do Sr.Kok, era o administrador da fazenda e cuidava da recém-montada serraria movida a roda d’água. As máquinas foram reunidas em SP e transportadas para CJ; a roda d’água foi montada em Piracicaba, em quatro partes, e levada a Campos pela Sorocabana, pela Central do Brasil e pela Estrada de Ferro de CJ e depois por intermédio de carros de boi, funcionando até 2011.

  • 1941

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    A criação do PECJ deve-se ao interventor de São Paulo Dr. Adhemar de Pereira Barros que, por meio do Decreto 11.908 de 27/03/1941, desapropriou a Fazenda da Guarda e algumas áreas para sua constituição. O parque foi criado prioritariamente com a finalidade produtiva, embora já se fizesse menção ao disciplinamento do manejo da fauna e flora bem como da necessidade de reflorestamento com fins de proteção das áreas acidentadas anteriormente desmatadas.

  • 1950

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Foram iniciados os plantios comerciais do gênero pinus, a razão para a introdução desse gênero no Brasil foi à demanda por madeira para o setor industrial. O reflorestamento se deu principalmente a partir de 1957, sendo realizado ano a ano, resultando em uma área reflorestada de 2.618 ha. Neste período, não havia estudos direcionados sobre os possíveis impactos que o plantio dessas espécies poderia ocasionar no ecossistema.

  • 1964

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Nos anos de 1953 iniciaram-se estudos visando à aclimatação da truta arco-íris, Salmo Irideus. Esses trabalhos, pioneiros, foram realizados em Campos do Jordão, com exemplares cedidos pelo Diretor Nacional de Caça e Pesca, Ascânio de Faria, e a participação de Pedro de Azevedo, José de Oliveira Vaz, Wilton Brandão Parreira e José Maria Bramley Barker. Dando continuidade a essa atividade, em 1960 importaram-se ovos embrionados do Chile e da Califórnia. Em setembro de 1964 inaugurou-se o Posto de Salmonicultura de Campos do Jordão, transformado posteriormente em “Estação de Salmonicultura Dr. Ascânio de Faria”.

  • 1972

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Instalada em fevereiro, a Estação Meteorológica era uma parceria entre o IF e o DAEE. Dentre os instrumentos destacam-se anemógrafo, anemômetro, barógrafo, heliógrafo, pluviógrafo, pluviômetro etermógrafo. Eram auferidas as temperaturas, umidade relativa do ar, direção e velocidade do vento. Os dados coletados eram informados ao escritório do Parque e posteriormente ao DAEE em São Paulo, chegando a registrar a temperatura de -7º C na região do PECJ. A estação operou até 2015.

  • 1974

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Os amistosos de futebol eram outra forma de entretenimento muito apreciada pelos funcionários. O futebol era tão presente que os funcionários tinham um time que competia em campeonatos regionais, denominado Time da Guarda, fazendo menção às memórias da Fazenda da Guarda.

  • 1975

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Realizados os estudos para a elaboração do primeiro Plano de Manejo – um dos primeiros do Brasil, já se destacava a necessidade de diálogo entre conservação e desenvolvimento. E, nesse sentido, algumas diretrizes e ações foram estabelecidas, como a destinação de áreas para recreação, lazer e contemplação.

  • 1980

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    A mecanização e exploração florestal em cooperação entre Japan International Cooperation Agency - JICA e Instituto Florestal – IF, foi uma iniciativa do governo japonês, com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP. O projeto tinha por objetivo trazer do Japão novas tecnologias para a colheita de madeira, em regiões de topografias acidentadas. O PECJ foi a área selecionada para o desenvolvimento do projeto, devido à quantidade de diversas espécies de pinus reflorestados que careciam de manejo. Este projeto ocorreu até o ano de 1985.

  • 1993

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Mais de 10 toneladas de pinhão foram lançadas nas encostas da Serra da Mantiqueira em CJ, para facilitar o repovoamento da araucária na região.

    Reportagem de 7 de junho, publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

  • 1994

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    O posto de saúde que foi montado e mantido pela prefeitura de CJ até o ano 2000. A prefeitura fornecia os medicamentos e pagava o médico e a técnica de enfermagem. O médico atendia uma vez por semana, nas manhãs de quintas-feiras e a técnica trabalhava todos os dias. Local onde hoje funcionam os toaletes e fraldário do Centro de Visitantes.

  • 1996

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    O Projeto Meninos Ecológicos - PME, parte da compensação ambiental da empresa de fornecimento de energia Elektro, foi um projeto de cunho socioambiental. No ano de 2007, o PME produziu 105.262 mudas, entre nativas, exóticas, ornamentais e medicinais. As mudas produzidas eram, em menor escala, destinadas à venda e, a grande maioria, plantadas em reflorestamentos e doadas. O projeto ocorreu até o ano de 2009.

  • 1997

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    A Festa do Pinhão é um grande evento importante para a cidade de Campos do Jordão. O Parque Estadual teve o privilégio de sediar a 36 edição.

  • 1999

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Destaca a abertura do 30 Festival de Inverno que resultou na ampliação do deck do lago das carpas, de modo a comportar a orquestra. A abertura do festival no PECJ foi a pedido do então secretário da cultura, Marcos Mendonça.

  • 2000

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Desmanchada a construída nas proximidades do lago das ninféias. A construção se deu em meados dos anos 90 e exigiu o emprego de toras de madeira tratada com 12 metros de comprimento. Essa bela torre foi desmanchada posteriormente a 2000.

  • 2003

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    Ocorriam corridas competitivas na unidade, nas quais participavam tanto as famílias como os próprios funcionários. Com o intuito de contribuir para a resistência e condicionamento físico dos funcionários para as operações de brigada de incêndio. Eram utilizadas para treino as trilhas: Celestina e a dos Campos, também as estradas do Paiol e Retiro. As competições que se destacaram foram as Corridas Rústicas que aconteciam nos aniversários do Parque e a Corrida Coorpore que acontecia em meados de setembro.

  • 2007

    Segundo relatos dos moradores locais, o município de Campos do Jordão possuía dois “prefeitos”, o prefeito da cidade e o administrador do Horto Florestal de Campos do Jordão. Em boa parte da história do PECJ, a administração foi realizada pelo Instituto Florestal (IF). Após a criação do Sistema Estadual de Florestas (SIEFLOR- Decreto nº 51.453), em 2007, a administração passou a ser da Fundação Florestal.

  • 2010

    (Fonte: Acervo Monumento Natural Estadual Pedra do Baú.)

    O estado de São Paulo conta com o Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, instituído em 2010, que visa: diminuir os focos de incêndio no estado; reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) oriundas das queimadas; proteger áreas com cobertura vegetal contra incêndios; erradicar a prática irregular do uso do fogo, respeitando o disposto no Decreto Estadual nº 56.571/2010; e fomentar o desenvolvimento de alternativas ao uso do fogo para o manejo agrícola, pastoril e florestal. A Operação Corta-Fogo, como é chamado este Sistema, é formada por diversos órgãos estaduais como a Coordenadoria Estadual de Proteção Defesa Civil (CEPDEC), o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Fundação Florestal (FF) e o Instituto Florestal (IF). A coordenação do sistema é realizada pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, por intermédio da Coordenadoria de Fiscalização e Biodiversidade. A articulação entre essas instituições ocorre por meio do Comitê Executivo, que tem como objetivo delinear ações integradas e complementares.

  • 2015

    (Fonte: Acervo Parque Estadual Campos do Jordão)

    O Programa de Educação Ambiental e Comunicação – PEAC foi formalizado no ano de 2015 junto a Fundação Florestal. O PEAC é baseado no Calendário Ambiental considerando cada data comemorativa. O PECJ realiza atividades como: Programação de Férias; Oficina das Águas; Dia do Turismo Ecológico; Concurso Cultural; Dia do Planeta Terra; Big Day Observação de Aves; Dia da Mata Atlântica; Dia do Meio Ambiente; Limpeza das Águas; Dia da Árvore; Dia de Proteção à Fauna; Dia do Rio; eventos comemorativos como o Aniversário do PECJ, atividades de prevenção contra incêndios florestais e o Resgate Histórico Cultural do PECJ. Além das atividades propostas interage com outros órgãos e instituições na realização de debates, cursos e palestras.

  • 2016

    Foto tirada no mês de dezembro por meio de instalação de câmera trap, parte do estudo do projeto de monitoramento de mamíferos do PECJ em parceria com o Instituto Florestal. O local da captação de imagem seria um trecho de campos de altitude da Trilha Celestina. Suçuarana (Puma concolor).

  • 2019

    PECJ passou por processo de concessão da área de uso de bem público, processo previsto na Lei Estadual 16.260/2016, que visa à melhoria na prestação de serviços inerentes ao ecoturismo, tais como atividades recreativas, programas turísticos, alimentação, lojinhas de souvenir, aluguel de bicicletas, dentre outros serviços. A área objeto de concessão é onde o uso público é permitido, totalizando 473,15 hectares, o que representa 5,67% da área total do Parque. A empresa concessionária Urbanes Campos tem sua sede no município de Santa Maria RS. O contrato de concessão tem duração de 20 anos podendo ser renovado por mais 10. A empresa iniciou as atividades no Parque no dia 01 de abril deste ano. O quadro de atual conta com 21 colaboradores.